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Termodinâmica II - Transformação politrópica / Diagrama T-s

Written by Marcos Cassiano.

Transformação politrópica



Em página anterior foi dado que uma transformação adiabática, isto é, sem troca de calor com o meio externo, é representada pela seguinte equação no plano pv:

p vχ = constante.

Onde  χ =  cp   (calor específico com pressão constante sobre calor específico com volume constante).
cv

Essa igualdade sugere que uma transformação genérica, usualmente denominada politrópica, deve ter a forma:

Transformação politrópica e casos particulares
Figura 01
p va = constante  #A.1#.

Onde o expoente a pode ser qualquer real, − ∞ < a < + ∞

Obs: em muitas referências, é comum o uso da letra n. Aqui é empregado apara evitar confusão com o n que indica número de mols.

Então, as transformações anteriormente analisadas são, na realidade, casos particulares da transformação politrópica, de acordo com o expoentea

Se p va = constante, a diferencial é nula d(p va) = 0.

Essa expressão pode ser expandida com a propriedade da diferencial de um produto:

d(p va) = va dp + p a va−1 dv = 0.

Dividindo tudo por p va,

dv  = −  1   dp   #B.1#.
v a p

A Figura 01 mostra as curvas para alguns valores do expoente a e a tabela abaixo é um resumo dos casos particulares já vistos nas páginas anteriores.

Tabela 01
Transformação Propriedade Valor de a Obs
Isobárica p constante 0 Usar igualdade #A.1# com a = 0
Isocórica v constante Usar igualdade #B.1# com a = ∞
Isotérmica T constante 1 Usar igualdade #A.1# com a = 1
Adiabática q = 0 χ Usar igualdade #A.1# com a = χ

Algumas fórmulas para a transformação politrópica podem ser deduzidas de forma análoga às da transformação adiabática, substituindo o expoente χ por a:

v1  = ( T2 ) 1/(a−1)   #C.1#.
v2 T1  

T1  = ( p1 ) (a−1)/a   #C.2#.
T2 p2  

Omitindo o desenvolvimento matemático, o trabalho é dado por:

w =  n   R  (T1 − T2 #D.1#.
m a − 1

E o calor trocado,

q =  χ − a  w  #E.1#.
χ − 1


Exemplo de problema (fonte: prova PF 2004. Responder Certo ou Errado):

Considere que, em um sistema termodinâmico não-adiabático constituído de gás ideal, os processos sejam regidos pela relação PVn = W, em que P é a pressão e V, o volume, enquanto n e W são, respectivamente, o coeficiente politrópico e uma constante. Nessa situação, as trocas de calor com a vizinhança do sistema são sempre acompanhadas de trabalho de fronteira, caso o coeficiente politrópico não tenda a infinito.

Solução: se o coeficiente tende a infinito, conforme Figura 01 e Tabela 01, o processo é isocórico, não havendo trabalho porque não há variação de volume. Resposta: Certo.



Diagrama T-s



Algumas vezes, o diagrama temperatura x entropia (T-s) se mostra mais adequado para representar a transformação do que o diagrama pressão x volume (pv). A Figura 01 dá os aspectos aproximados das curvas de algumas transformações típicas.

Entre dois pontos genéricos 1 e 2, a variação da entropia pode ser deduzida para cada transformação.

Diagrama T-s
Figura 01
Para transformação isocórica (v constante),

dq = cv dT.

Segundo a definição de entropia,

ds = dq/T.Integrando, Δs =  dq/T. Portanto,

Δs =  2  cv  dT  = cv ln( T2 )  #A.1#.
1 T T1


Para transformação isobárica (p constante), q = cp dT.

Δs =  2  cp  dT  = cp ln( T2 )  #B.1#.
1 T T1

Portanto, as curvas de v constante e p constante são parecidas, mas com inclinação diferente porque cv e cp são diferentes.


No caso de transformação isotérmica (T constante),

q = w = W/m = (n/m) R T ln (p1/p2). Desde que T é invariável,

Δs =  q  =  n  R ln ( p1 )  #C.1#.
T m p2


Na transformação isentrópica, s constante ou

Δs = 0  #D.1#.

Uma transformação adiabática reversível é também isentrópica (a demonstração, por enquanto, não é aqui informada).
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