Termodinâmica - Segunda lei
Segunda lei da Termodinâmica
A primeira lei da Termodinâmica, já vista em página anterior, impõe uma condição fundamental aos processos energéticos, isto é, não pode haver geração ou desaparecimento espontâneo de energia.
A segunda lei adiciona outras restrições, quanto ao comportamento e ao modo de utilização das transformações energéticas.
Seja o exemplo clássico da Figura 01. Em (a) existem dois corpos isolados:
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| Figura 01 |
• corpo frio, com temperatura
TB < TA.Se os dois corpos são colocados em contato entre si num sistema isolado como em (b) da figura, a experiência mostra que o calor passa do corpo quente para o corpo frio até que as temperaturas de ambos se estabilizem num valor de equilíbrio TE, como em (c) da figura.
Naturalmente, deve ocorrer
TA > TE > TB.Observar que, se o processo fosse inverso, isto é, se o calor passasse do corpo frio para o quente (aumentando a temperatura do quente e diminuindo a do frio), não haveria nenhuma violação da primeira lei (a mesma quantidade de calor retirada de um é adicionada ao outro). Mas isso nunca acontece. Assim, pode-se dizer que
Espontaneamente, o calor só pode passar de um corpo de temperatura mais alta para outro de temperatura mais baixa. E esse é um dos enunciados da segunda lei da Termodinâmica.
Outro exemplo comum da segunda lei é dado pela eficiência de uma máquina térmica.
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| Figura 02 |
Uma máquina real opera como em (b) da mesma figura. Há sempre uma parcela de calor Q2 que é trocada com uma fonte fria (o próprio ambiente na maioria dos casos).
E o enunciado a seguir é outra forma da segunda lei:
É impossível converter todo o calor de uma fonte em trabalho. Sempre haverá uma parcela trocada com o ambiente.
E outros enunciados podem ser vistos. Por exemplo, a impossibilidade do moto-perpétuo de segunda espécie (uma máquina que aproveitaria o calor do próprio ambiente).
Transformações reversíveis e irreversíveis
Transformações termodinâmicas são processos que produzem alterações em variáveis que definem o estado termodinâmico de um corpo ou sistema.
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| Figura 01 |
Como exemplo de transformação reversível, pode-se citar o escoamento de um gás ideal em uma tubulação com um estrangulamento, conforme Figura 01.
Desde que a condição é supostamente ideal, não há atritos nem trocas de calor através da parede do tubo. Devido à redução de seção, o estado termodinâmico (ex: pressão, velocidade) do gás em 2 é diferente do estado em 1.
Passado o estrangulamento, como no ponto 3 da figura, o estado termodinâmico é o mesmo de 1, caracterizando a reversibilidade do processo.
Na Figura 02, ocorre a troca de calor entre dois corpos com temperaturas diferentes TA > TB, já vista no tópico anterior.
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| Figura 02 |
Depois de algum tempo, a troca de calor termina e os corpos atingem uma temperatura comum de equilíbrio TE (TA > TE > TB), conforme indicado em (c) da figura.
Entretanto, conforme (d) da figura, se os corpos são afastados e fisicamente dispostos na mesma situação inicial (a), as suas temperaturas não retornam espontaneamente aos valores anteriores. Há, portanto, umatransformação irreversível.
Processos práticos não são ideais e, portanto, sempre têm algum grau de irreversibilidade. Em geral, ela é atribuída a:
• forças de atrito (sólidos e fluidos).
• transferência de calor com diferença finita de temperatura.
• expansão ou compressão rápida de um fluido.
• expansão livre de um fluido.
• mistura espontânea de gases diferentes.
Conceito de entropia
Usando esse conceito, a segunda lei é escrita:
A variação da entropia de um sistema fechado não pode ser negativa. Se a transformação é reversível, a variação da entropia dos corpos envolvidos é nula. Se a transformação é irreversível, essa variação é positiva.
Portanto,
ΔSsist fechado ≥ 0 #A.1#. Onde S é entropia.Para um processo reversível, a entropia é dada por:
δQ: variação infinitesimal do calor trocado (δ indica diferencial inexata).
T: temperatura absoluta.
E a variação de entropia é:
#B.2#Mais informações sobre entropia (processos irreversíveis) serão vistas na parte de ciclos termodinâmicos.
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| Figura 01 |
Naturalmente, o estudo da entropia é algo muito mais amplo que as definições básicas aqui apresentadas.
Umas das interpretações físicas comuns da entropia é como uma medida da desordem de um sistema, ou seja, um sistema mais desordenado tem uma entropia maior.
Em (a) da Figura 01, um espaço com um gás tem as moléculas dispostas com alguma ordenação. Se isso ocorreu em um determinado momento, o mais provável é que, em tempos futuros, a disposição seja mais desordenada, como em (b) da figura. Isto significa, portanto, que os processos naturais em sistemas fechados tendem para uma entropia maior.
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