Forças de atrito I - Atrito de deslizamento
Atrito de deslizamento |
Conforme Figura 01, considera-se um corpo de peso P (que pode ser o seu peso próprio ou este último mais uma carga externa) sobre uma superfície plana e sob ação de uma força horizontal F. Sempre haverá uma força de atrito A que se opõe à ação de F. A superfície exerce sobre o corpo a reação normal N.
Supõe-se que o corpo desliza em movimento retilíneo uniforme. Assim, as somas das forças e dos momentos atuantes no mesmo são nulas:
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| Fig 01 |
∑ Fy = 0 = P + N ou N = −P #A.1#.
∑ Fx = 0 = F + A ou A = −F #A.2#.
∑ M = 0 = bN + aA ou b = −a A / N #A.3#.
A posição da linha de ação de N não é relevante para este caso e esta última equação é dada apenas para completar a condição do movimento do corpo.
∑ Fx = 0 = F + A ou A = −F #A.2#.
∑ M = 0 = bN + aA ou b = −a A / N #A.3#.
A posição da linha de ação de N não é relevante para este caso e esta última equação é dada apenas para completar a condição do movimento do corpo.
Na prática, verifica-se que o módulo da força de atrito A é proporcional ao módulo de N:
A = μ N #B.1#.
O fator de proporcionalidade μ é denominado coeficiente de atrito para as duas superfícies.
Esse coeficiente depende dos materiais em contato e de outros fatores como temperatura e presença de outros elementos nas superfícies tais como água, óleo. Entretanto, para os mesmos materiais e nas mesmas condições, a proporcionalidade é válida.
Outra característica observada: se o corpo está em repouso e a força F é aplicada de forma gradual, do zero até o instante em que o corpo começa a se mover, é verificado, nesse instante, um coeficiente de proporcionalidade diferente do anterior, com o corpo em movimento.
Pode-se dizer então que um par de superfícies apresenta dois coeficientes de atrito:
• μe: coeficiente de atrito estático (iminência do deslizamento).
• μd: coeficiente de atrito dinâmico (em deslizamento).
O primeiro é sempre maior que o segundo, isto é, μe > μd #C.1#.
Nesta página a notação simples sem índice (μ) pode representar um ou outro, se ficar subentendido o tipo a que se refere.
A = μ N #B.1#.
O fator de proporcionalidade μ é denominado coeficiente de atrito para as duas superfícies.
Esse coeficiente depende dos materiais em contato e de outros fatores como temperatura e presença de outros elementos nas superfícies tais como água, óleo. Entretanto, para os mesmos materiais e nas mesmas condições, a proporcionalidade é válida.
Outra característica observada: se o corpo está em repouso e a força F é aplicada de forma gradual, do zero até o instante em que o corpo começa a se mover, é verificado, nesse instante, um coeficiente de proporcionalidade diferente do anterior, com o corpo em movimento.
Pode-se dizer então que um par de superfícies apresenta dois coeficientes de atrito:
• μe: coeficiente de atrito estático (iminência do deslizamento).
• μd: coeficiente de atrito dinâmico (em deslizamento).
O primeiro é sempre maior que o segundo, isto é, μe > μd #C.1#.
Nesta página a notação simples sem índice (μ) pode representar um ou outro, se ficar subentendido o tipo a que se refere.
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| Fig 02 |
N + A + P + F = 0 #D.1#.
De outra forma,
N + A = R = −P −F #D.2#. Ver diagrama na Figura 02.
Portanto, a força R pode ser considerada a reação total que a superfície aplica no corpo, incluindo a reação normal e a reação de atrito.
O ângulo φ, que a resultante R faz com a vertical, é o ângulo de atrito ou ângulo de deslizamento. É fácil verificar que
μ = tan φ #E.1#.
Numericamente, o atrito pode ser dado pelo ângulo ou pelo coeficiente. Na prática, é mais comum o uso do coeficiente.
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| Fig 03 |
Na Figura 03, uma força horizontal F, aplicada na cunha C, tende a levantar a coluna B.
Desprezando o peso próprio das partes e considerando o mesmo ângulo de atrito φ para todas as superfícies, deseja-se saber a intensidade da força F que levanta, sob velocidade constante, uma carga P sobre a coluna B
Deve-se ter ∑ F = 0 para as partes B e C. Na Figura 04, a indicação das forças atuantes em cada.
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| Fig 04 |
Em C: F + R3 − R2 = 0 ou F + R3 = R2.
O diagrama vetorial pode ser visto na Figura 04.
Considerando as propriedades do triângulo,
F/sen c = R2/sen b.
P/sen d = R2/sen e.
F = R2 sen c/sen b.
R2 = P sen e/sen d.
F = P sen c sen e / (sen b sen d).
Para os ângulos:
a = 90 - φ - α.
b = 90 - φ. Portanto, sen b = cos φ.
c = α + 2φ.
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| Fig 05 |
e = 90 + φ. Portanto, sen e = cos φ.
f = φ + α.
Substituindo, F = P sen (α + 2φ) cos φ /(cos φ cos (2φ + α)). A simplificação dessa igualdade resulta em:
F = P tan (2φ + α).
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| Fig 06 |
Um corpo sobre um plano inclinado que faz um ângulo α com a horizontal e sob ação de seu peso próprio, conforme Figura 06 ao lado, tendo um ângulo de atrito φ com a superfície.
A indicação vetorial das forças é suficiente para concluir que o corpo permanece em repouso enquanto
α ≤ φ.
Exemplo 03: Elevador de parafuso
Um parafuso de filete de rosca retangular (Figura 07) é usado para levantar uma carga P. Deseja-se saber o momento M que será necessário aplicar em função dessa carga, dos diâmetros interno (Di) e externo (De) da rosca, do ângulo α da rosca e do ângulo de atrito φ.
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| Fig 07 |
Assim, em cada porção infinitesimal de r, haverá uma reação dR que faz um ângulo (α + φ) com a vertical. Na condição de equilíbrio:
∑ Fy = 0 = P − ∫ dR cos(α + φ) ou
P = cos(α + φ) ∫ dR ou ∫ dR = P/cos(α + φ).
∑ M = 0 = M − ((De + Di)/4) ∫ dR sen(α + φ) ou
M = ((De + Di)/4) sen(α + φ) ∫ dR.
M = ((De + Di)/4) sen(α + φ) P/cos(α + φ).
M = P tan(α + φ) (De + Di) / 4.
Fica para o leitor deduzir que, na situação inversa, isto é, descida, o parafuso gira com a simples aplicação da carga se α > φ.
| Material | μe | μd |
| Aço / aço (seco) | 0,70 | 0,60 |
| Bronze / aço (seco) | 0,19 | 0,18 |
| Cobre / aço (seco) | 0,50 | 0,40 |
| Madeira / madeira (seco) | 0,50 | 0,30 |
| Teflon / aço | 0,04 | 0,04 |
A tabela ao lado dá apenas uma idéia de ordem de grandeza.
Os valores de coeficiente de atrito podem variar porque dependem de condições diversas dos materiais, da composição, etc.
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