Dinâmica III - Teorema do virial para um sistema de partículas
Teorema do virial para uma partícula |
Seja, conforme Figura 01, uma partícula de massa m sujeita à ação de uma força F, com velocidade v e posição dada pelo vetor r. Define-se uma grandeza X tal que X = m v · r, ou seja, o produto da massa pelo produto escalar dos vetores v e r.
Considerando a propriedade da diferencial de um produto, a derivação em relação ao tempo é:
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| Fig 01 |
Mas (dv/dt) = a (aceleração) e (dr/dt) = v (velocidade).
dX/dt = m a · r + m v2. Mas m a = F (força) e m v2 = 2 Ec (energia cinética).
dX/dt = F · r + 2 Ec. Se considerados valores médios, essa igualdade pode ser escrita na forma:
(dX/dt)av = (F · r)av + 2 (Ec)av #A.1#.
O valor médio, no intervalo 0 a T, de uma função genérica f(t) é dado por (1/T) ∫0,T f(t) dt. Portanto, para a derivada da grandeza X,
(dX/dt)av = (1/T) ∫0,T (dX/dt) dt = (1/T) ∫0,T dX = [ X(T) − X(0) ] / T.
Considera-se agora que o movimento da partícula é limitado pela região S indicada na figura. Então os valores de v e r serão também limitados e, para um intervalo T suficientemente grande, deve-se ter [ X(T) − X(0) ] / T quase nulo. Assim, pode-se dizer que, na condição t → ∞, o valor de (dX/dt)av é zero. Considerando isso na igualdade #A.1#,
(Ec)av = − (1/2) (F · r)av #B.1#. A expressão do lado direito é denominada virial da partícula.
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| Fig 02 |
Na página Dinâmica I-30 foi dado que, para esse caso, deve-se ter:
F = − dEp / dr, onde Ep é a energia potencial.
Em termos vetoriais, pode-se escrever F = − (dEp / dr) ur.
Onde ur é um vetor unitário na direção de r porque F e r estão na mesma linha. Substituindo na igualdade anterior e lembrando que ur · r = r, o resultado é:
(Ec)av = (1/2) [ r dEp/dr ]av #C.1#.
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| Fig 03 |
Na página Vibrações mecânicas I-10, foi dada a equação diferencial do deslocamento x em relação ao tempo:
m d2x/dt2 = − kx, onde k é a constante da mola. A solução é
x = A sen (ωt + φ).
Onde A é a amplitude da oscilação, ω = √(k/m) é a velocidade angular e φ, o ângulo inicial do deslocamento.
Supondo por simplicidade φ = 0, a igualdade se reduz a x = A sen ωt.
Na página Dinâmica I-30, foi visto que a energia potencial de uma mola deformada de x é Ep = (1/2) k x2. Substituindo x pelo valor da igualdade anterior, Ep = (1/2) k A2 sen2ωt.
Da mesma igualdade pode-se ter a velocidade v = dx/dt = A ω cos ωt. E a energia cinética é calculada por:
Ec = (1/2) m v2 = (1/2) m A2 ω2 cos2ωt = (1/2) m A2 [√(k/m)]2 cos2 ωt = (1/2) k A2 cos2ωt.
Para este exemplo, r da igualdade #C.1# equivale à distância x (a força atuante é central porque passa sempre por um mesmo ponto - qualquer ponto - na linha ao longo do eixo da mola). Portanto,
(Ec)av = (1/2) [ x dEp/dx ]av.
Mas dEp/dx = d [ (1/2) k x2 ]/dx = k x. Substituindo, (Ec)av = (1/2) [ k x2 ]av = (1/2) [ k A2 sen2ωt ]av. Este último valor é igual à energia potencial já calculada anteriormente.
Portanto, neste caso ocorre (Ec)av = (Ep)av. Notar que o resultado é coerente com os valores encontrados para a energia cinética e para a energia potencial:
Ec = (1/2) k A2 cos2ωt.
Ep = (1/2) k A2 sen2ωt.
Para um tempo t longo, os valores médios de cos2ωt e de sen2ωt são idênticos, o que confirma a igualdade anterior.
Teorema do virial para um sistema de partículas |
O conceito de virial pode ser estendido para um sistema de várias partículas. Por simplicidade, considera-se inicialmente um conjunto de duas partículas de massas m1 e m2 conforme indicado na Figura 01 abaixo. Então, a grandeza X do tópico anterior é definida de forma similar:
X = m1 v1 · r1 + m2 v2 · r2.
dX/dt = m1 (dv1/dt) · r1 + m1 v1 · (dr1/dt) + m2 (dv2/dt) · r2 + m2 v2 · (dr2/dt).
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| Fig 01 |
dX/dt = m1 a1 · r1 + m2 a2 · r2 + m1 v12 + m2 v22.
As duas últimas parcelas correspondem ao dobro da energia cinética do conjunto, de forma similar à do tópico anterior.
dX/dt = m1 a1 · r1 + m2 a2 · r2 + 2 Ec.
Em cada partícula, ocorre a ação de uma força externa e de forças de interação entre partículas (F1 e F12 para a partícula 1 por exemplo).
Então, o produto massa x aceleração de cada partícula deve ser igual à resultante dessas forças:
m1 a1 = F1 + F12 e m2 a2 = F2 + F21. Mas F21 = − F12. Assim, m2 a2 = F2 − F12.
m1 a1 · r1 + m2 a2 · r2 = (F1 + F12) · r1 + (F2 − F12) · r2 = F1 · r1 + F2 · r2 + F12 · (r1 − r2). Mas (r1 − r2) = r12.
m1 a1 · r1 + m2 a2 · r2 = F1 · r1 + F2 · r2 + F12 · r12. Substituindo na igualdade anterior,
dX/dt = (F1 · r1 + F2 · r2 + F12 · r12) + 2 Ec.
Supondo que o movimento das partículas é limitado pelo espaço S, usa-se o mesmo raciocínio do tópico anterior para concluir que o valor médio de dX/dt deve ser nulo. Portanto,
(Ec)av = − (1/2) (F1 · r1 + F2 · r2 + F12 · r12)av #A.1#.
Essa igualdade permite uma analogia para um número qualquer de partículas:
(Ec)av = − (1/2) ( ∑(cada) Fi · ri + ∑(pares) Fjk · rjk)av #B.1#. A expressão do lado direito é denominada virial do sistema de partículas.
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